Vamos falar sobre: Clássicos

Olá pessoal.

Hoje eu vou começar uma nova série de posts que estou preparando para 2016, que eu dei o nome de: “vamos falar sobre?”. Nessa série, eu vou trazer algum tema “polêmico” que eu gostaria de discutir com vocês. Então, aqui está o primeiro.

Clássicos

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1. Quem tem medo dos clássicos?

Há algum tempo que eu queria abordar o assunto aqui no blog. Não sei se vocês sabem, mas eu sou formada em Letras, e portanto, em Literatura. Isso não significa que eu seja melhor leitora que ninguém,  ou algo do tipo, mas eu tenho um certo apreço e tive bastante contato com clássicos (que são basicamente o que analisamos nas aulas de literatura na faculdade). Acontece que muita gente tem preconceito com os clássicos. Acham eles: chatos, difíceis, sem sentido, ou sentem que não estão “preparados” para lê-los.  Isso me deixa um pouco chateada, esse preconceito. Afinal, temos preconceito com o que? O desconhecido. Por isso, estou aqui para tentar quebrar esse tabu de que clássicos são chatos e difíceis.

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2. Aprender a “ler” é diferente de aprender a ler.

Uma das primeiras coisas que eu aprendi sobre leitura é: alfabetizar uma pessoa e ensiná-la a decodificar símbolos e signos, não é a mesma coisa que ensiná-la a ler. E SIM, LEITURA TEM DE SER ENSINADA. O que não acontece na escola. Na maioria das vezes, a pessoa é ensinada a decodificar sílabas e palavras, mas não é ensinada a decodificar o que essas silabas e palavras podem representar em metáforas ou analogias, por exemplo. E aí, jogam um clássico na sua mão sem o menor acompanhamento e explicação e esperam que você entenda tudo. Não é assim tão simples. Eu mesma não gostava de clássicos antes da faculdade, e vejam bem o que aconteceu: me ensinaram a ler literatura.

3. “Se não é difícil, não é literatura”.

Um professor meu adorava essa frase. Ele dizia que a literatura é para ser difícil mesmo, é para ser um incômodo, uma pedrinha no seu sapato. É pra fazer você pensar por dias, refletir, te perturbar, te arrancar do seu mundo e te jogar um balde de água fria, senão pra quê? Afinal, tudo que é muito fácil embora proporcione um prazer imediato, não fica com a gente, se esvai. Isso não significa que tem que ser chato. Então, assim como aquela fase difícil do vídeo game, não desista dos clássicos. Se um não deu certo, tente outro.

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4. Ninguém acorda um dia sabendo ler clássicos.

Muita gente pensa que não está preparado ou não tem maturidade para ler clássicos, mas isso é a maior balela do mundo. Lembra quando eu falei ali em cima que você tem que aprender a ler? Isso também vale para os clássicos. E como a gente aprende? Estudando e pesquisando, ué. Não pense que um dia você vai acordar maduro o suficiente para entender e analisar um livro complexo, isso não vai acontecer! Não tenha medo de pesquisar análises e ler sobre os livros que você não entendeu. Se você está achando que o livro que você está lendo não tem nada a ver e você não está entendendo nada, o caminho não é forçar a leitura (como fazíamos na escola) ou abandoná-lo. Feche o livro e vá pesquisar sobre ele. Pesquise qual a importância daquele livro, por que ele é um clássico, o que falam as análises mais comuns, etc. Muitos clássicos podem parecer meio distantes da nossa realidade, mas sendo um clássico tem alguma coisa nele que o faz ser atual, só que nem sempre isso fica explícito.  E assim, pesquisando sobre o livro, você vai aos poucos se aproximando dele e entendendo ele, e a leitura vai ficando cada vez mais fácil. Dessa forma, você vai aprendendo a ler outros clássicos. Não é impossível. É como aprender qualquer outra coisa.

5. Clássicos não é um gênero!

Você gosta de livros clássicos? Sim ou não. Tratamos os clássicos como um gênero. Mas, ás vezes esquecemos que existem bilhões de tipos diferentes de clássicos. Alguns você pode gostar, e outros não. É a mesma coisa que perguntar se você gosta de samba. Você pode gostar só de samba, por exemplo, mas ainda sim vão ter algumas músicas do gênero que você não vai gostar. Como qualquer outro tipo de livro (ou música), você tem que explorar para saber qual o tipo que você gosta. Não adianta escrever o “ode de ódio aos clássicos” porque você leu O Grande Sertão Veredas e odiou. Ás vezes, o seu tipo de clássico é fantasia como Alice no país da maravilhas ou O senhor dos anéis. O que nos leva a nosso próximo tópico.

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6. Será que eu não gostei porque não entendi ou porque não faz meu estilo?

Faça essa pergunta a si mesmo enquanto lê um clássico. Será que você entendeu? Se acha que não, volte ao tópico 4. Se acha que sim, volte ao tópico 5. Lembre-se que você não é obrigado a entender tudo que lê, e que não é vergonha nenhuma pesquisar o que você não sabe. Lembre-se também que você não é obrigado a gostar de todos clássicos, mesmo que eles sejam os mais célebres do mundo. Isso não te faz burro, e sim uma pessoa crítica de opinião própria. Quando eu leio obras sertanistas, como Vidas Secas ou Sagarana, por exemplo, sou capaz de entendê-las e compreendo porque são obras geniais e maravilhosas. No entanto, não são o tipo de livro que eu gosto de ler. Então, saiba a dar valor aos clássicos e compreender o porquê de eles terem todo o prestígio que têm. E ao mesmo tempo, saiba separar qualidade da obra do seu gosto pessoal.

Eu espero realmente que as minhas dicas ajudem quem tem problemas com esse tipo de livros a entendê-los um pouquinho mais e motivem vocês a lerem mais clássicos.

Qualquer pergunta deixem nos comentários.

Beijinhos e até o próximo.

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