Resenha: Garota exemplar – Gillian Flynn

Oi Gente, tudo bem?

Ai vamos falar logo desse livro deuso que está tirando o meu sono. Valha-me senhor! Essa resenha vai ficar enorme.

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Porque eu li: Eu e toda via láctea já ouvimos falar de como a Gillian Flynn é maravilhosa. Esse livro em particular ficou bem famoso por causa do filme, e eu nunca tinha tido vontade de ler/assistir. No entanto, eu acabei comprando o “Objetos Cortantes” por indicação, e pensei: por que não ler garota exemplar se todos falam tão bem? Aí minha curiosidade falou mais alto e eu peguei o filme pra assistir com meu namorado. Aí antes de a gente assistir, eu decidi que tinha que ler o livro primeiro senão não iria querer mais ler depois de ver o filme. Aí depois de acalmar a libriana dentro de mim (e convencer o meu namorado, que já estava pronto e convencido de assistir o filme, a me esperar ler o livro), eu comprei o livro e li. =)

Como eu li: Eu li na versão física publicada pela Intrínseca. O livro é bem grandinho e tem 443 páginas. Só tenho uma reclamação dessa edição. Eu queria a edição que combinava com a capa de objetos cortantes e esta não exite mais. A editora mudou a capa para a capa do filme e eu odeio isso! Se não quisesse tanto ler não iria ter comprado.

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O espaço: O espaço é muito importante nesse romance em particular. A história se passa em uma cidadezinha do interior de Missouri, North Carthage, onde o personagem de Nick Dunne nasceu.

A história: Nick Dunne está um pouco cansado do seu casamento, mas nada demais. Ele continua convivendo com Amy em uma casa no interior do Missouri pra onde ele e a esposa novaiorquina se mudaram quando sua mãe ficou doente. No dia de seu quinto aniversário de casamento Nick sai de casa de manhã e recebe uma ligação rotineira do vizinho fofoqueiro de que a porta de sua casa está aberta. Nick não leva muito a sério, mas ao chegar em casa Amy não está e a sala se encontra completamente revirada. Nick chama a polícia e começa então a lidar com o caso de sua esposa perfeita e exemplar que sumiu, mas ele parece ser o único que não sente a mínima falta dela, e isso gera suspeitas.

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Personagens:

Nick Dunne é um garoto do interior que se muda para Nova York para seguir a carreira de jornalista. Ele conhece Amy Elliott em uma festa e os dois acabam se casando. No começo, o casamento é um sonho, mas após alguns anos e uma crise da qual os dois saem desempregados, as coisas começam a mudar um pouquinho. Eles são então obrigados a se mudarem para o Missouri para cuidar da mãe de Nick que tem câncer e do pai que está internado em um asilo. O casamento então chega a um ponto em que Nick está insatisfeito e ausente. No entanto, somente ele parece conhecer sua esposa a ponto de saber que ela não é tão exemplar quanto os outros a enxergam.

É uma época difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos de uma interminável máquina automática de personagens.

[…] Chegara ao ponto em que parecia que nada importava, pois não sou uma pessoa de verdade, ninguém mais é. Eu teria feito qualquer coisa para me sentir normal novamente.”

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Amy Elliott Dunne é uma garota perfeita de Nova York. Ela é rica, bonita e um modelo de como as outras garotas deveriam ser. Tanto que seus pais psicólogos fizeram carreira com uma série de livros chamada “Amy Exemplar” nos quais apresentam situações banais no dia a dia e uma protagonista impecável que sempre as resolve de maneira ideal, baseada em sua filha. No entanto, Amy é uma garota comum e se sente na sombra daquela personagem tentando ser sempre perfeita e agradar a todos a sua volta repreendendo a sua própria personalidade.

“[…]Gostaria que meus pais não estivessem recebendo um tratamento tão especial.[…] Sei que deveria ter pena deles, mas não tenho. Nunca fui para eles mais que um símbolo, o ideal vivo. Amy Exemplar de carne e osso. Não faça besteira, você é a Amy Exemplar. Nossa única. Há uma responsabilidade injusta que vem com o fato de ser filha única – você cresce sabendo que não tem o direito de desapontar, não tem nem o direito de morrer. Não há um substituto por perto; é você. Isso a torna desesperada para ser impecável, e também a deixa embriagada de poder. É assim que déspotas são feitos.”

Desenvolvimento: No decorrer da história, vemos Nick Dunne tentando lidar com a polícia e a mídia por causa do desaparecimento de Amy. Nick por ser o único que via a sua esposa do jeito que ela realmente era (não perfeita), acaba não sofrendo como os expectadores do caso esperariam de um marido que perdeu a esposa. Várias mentiras e comportamentos inapropriados acabam o transformando em principal suspeito. Paralelamente, acompanhamos entradas de Amy em seu diário achado pela polícia, no qual ela narra acontecimentos desde quando o casal se conheceu, até as crises mais recentes do seu casamento. Aos poucos, vamos descobrindo que um casamento aparentemente normal com alguns problemas é na verdade bem mais conturbado interiormente.

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O que eu achei: Achei o livro sensacional. Os personagens são muito bem construídos e de uma complexidade incrível, tanto que foi muito difícil escrever o tópico de personagens desta resenha porque eu simplesmente não consigo colocar nem o Nick nem a Amy dentro de uma caixinha e falar: ah eles são isso e isso, assim e assim. Eles são personagens completamente “outside the box“, e seus comportamentos não são nada previsíveis. Eu não achei a história tão surpreendente assim, mas acho que é porque eu já sabia o que estava por trás do desaparecimento. No entanto, acho que quem está lendo sem nenhum “spoiler” irá se surpreender com a segunda parte do livro. Mesmo quem já sabe que tem alguma coisa errada, se surpreenderá com o calculismo da situação e a construção desse mistério.

Considerações finais: O livro tem personagens maravilhosamente bem construídos e pra mim isso fez o livro. A história e o final surpreendem não por serem incrivelmente originais, mas pelo comportamento inesperado dos personagens. Também gosto como a Gillian Flynn vai revelando aos poucos os segredos e defeitos do casamento dos dois e de suas personalidades. Esse livro é muito intrigante e nos faz pensar em o quanto realmente podemos conhecer as pessoas e como diferentes pessoas podem ter uma ideia tão diferente da personalidade de alguém. Além de o quão complexas e ímpares as pessoas são. Os personagens que lemos, geralmente, são esteriótipos ou estereotipados, “o invejoso”, “o herói”, “o diferente”, mas ninguém é assim na vida real, somos plural. Pra mim a Gillian Flynn conseguiu mostrar o quanto personagens bem construídos são essenciais em um romance. E não se assustem, mas apesar dos pesares, me identifiquei muito com a Amy.

Eu amei o livro e dei 5 estrelas. Não tenho palavras mais para exaltá-lo rsrsrs. Então simplesmente leiam.

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O Filme: Eu não gosto muito de comparar filmes com livros, porque pra mim eles são outra coisa. Eles tem outro objetivo, outro público, outro suporte, outro meio, completamente diferente.

Só vou comparar aqui porque na mesma noite que eu terminei o livro corri para assistir ao filme. Eu gostei sim do filme e da adaptação, mas preferi o livro. Achei o filme um pouquinho tendencioso para o lado do Nick. Dá muitas explicações para coisas “erradas” que ele fez que não tem no livro. Mas vale a pena assistir, Rosamund Pike está ótima como Amy. Me disseram antes que o final do filme é diferente, mas não é. Algumas coisinhas no decorrer do filme foram mudadas sim e o clímax do final foi um pouco mais chocante por ser outro meio como eu já disse, mas não acho que esse final prejudicou a adaptação mais do que o aspecto tendencioso do filme que me desagradou um pouco.

Vocês já assistiram/leram Garota Exemplar? Deixem sua opiniões para discutirmos nos comentários.

Beijos e Feliz Halloween. jack-icon

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Na estante: Não conte a ninguém

Olá pessoas. Como vocês estão aproveitando o mês do horror até agora? Eu estou super empolgada e trago aqui outra resenha pra vocês.

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Porque eu li: Bom, todo mundo que gosta de mistério já deve ter ouvido falar do Harlan Coben. Ele ganhou nada menos que os três prêmios mais famosos de livros policiais dos Estados Unidos. Ele explodiu a pouco tempo com seus livros de capas azuis e títulos intrigantes. O título foi o principal motivo de eu ter pego esse em particular pra ler, além de querer ler algo desse autor pra ver se gostava, já que ele é famosa por escrever um dos meus gêneros favoritos.

Como eu li: Eu li a cópia física de “Não conte a ninguém”, publicada pela editora arqueiro.

O espaço: A história se passa em Nova York, assim como metade dos livros do mundo. Mas acho que o espaço não muda muito nessa história.

A história: Oito anos após ter perdido sua esposa David Beck ainda não superou a tragédia. Todos os anos ele e sua esposa iam até o lugar onde aconteceu seu primeiro beijo aos 12 anos e faziam uma marca em uma árvore onde suas iniciais estavam gravadas dentro de um coração. Recém-casados eles voltam pela 13ª vez para completar seu ritual. No entanto, eles são atacados misteriosamente. Beck é abandonado inconsciente e Elizabeth é sequestrada, apenas para ser encontrada morta depois de uma semana. O caso foi muito misterioso e fechado como se eles tivessem sido vítimas de um serial killer. Então, no vigésimo primeiro aniversário do primeiro beijo, oito anos depois, David recebe um e-mail misterioso. No assunto, suas iniciais e de sua esposa e 21 barras. No corpo tem um endereço de site, uma mensagem “hora do beijo” e uma frase “Não conte a ninguém”. Então, ele acessa o site na hora certa que somente ele e Elizabeth conheciam e tem uma grande surpresa ao vê-la na tela de seu computador.

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Personagens:

David Beck – Beck é um médico bonito e bem sucedido que nunca conseguiu superara o assassinato de sua esposa Elizabeth. Apesar das circustâncias estranhas do seu assassinato, ele sempre aceitou a resolução que a policia deu, embora sua culpa de não poder defender Elizabeth não o deixasse em paz.  Quando ele recebe esse e-mail misterioso, ele começa a duvidar de tudo que ele tinha acreditado sobre a tragédia e começa a rever os fatos para descobrir se sua esposa está morta ou não e o que realmente aconteceu aquela noite que ela foi sequestrada. No entanto, a sua motivação o torna um pouco desleixado e até suspeito.

Elizabeth Beck – Elizabeth sempre foi uma filha exemplar, uma mulher exemplar e aparentemente alguém que era querida por todos. Ela trabalhava em uma obra de caridade e por seu perfil acreditava-se que somente um serial killer poderia ter algum motivo para matá-la.

Desenvolvimento: A  premissa do livro é muito envolvente e interessante, até genial, mas acaba por aí. O desenvolvimento é bem decepcionante. A história é contada por David Back em primeira pessoa e pelo ponto de vista em terceira pessoa de dois “detetives/assassinos” que trabalham para um milionário famoso. No começo pode parecer estranho mas não demora muito para o leitor entender a ligação entre as duas histórias.

O que eu achei: O livro foi uma decepção para mim. Achei o desenvolvimento da história extremamente clichê e sem surpresas. Logo no começo o leitor já cria suposições do que pode ter acontecido com Elizabeth e no final a suposição mais óbvia é a verdadeira. Eu não empatizei com os personagens e odiei o fato do livro ter dois focos narrativos em pessoas diferentes. Uma hora você estava lendo as partes de David em primeira pessoa (que eram ok) e de repente pulava para a terceira pessoa, isso quebrava um pouco o ritmo de leitura. Parecia que quando você estava entrando na história e suspendendo a descrença o autor te arrancava pra fora de novo. Por que isso? Não entendi o objetivo do autor em fazer isso.

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Considerações finais: Achei o livro muito óbvio e sem surpresas. O mistério só parece mesmo mistério para o personagem principal que era meio bobão mesmo. O final ficou muito evidente desde muito cedo no livro, e eu fiquei esperando o clímax ou uma reviravolta e nunca veio. Além disso, os dois focos narrativos me deram a impressão de amadorismo e um livro muito mal escrito. Não é a toa que a professora na escola dizia para sempre escrevermos em 1ª ou em 3ª pessoa e NUNCA misturar as duas. Acho que Harlan Coben não assistiu essa aula.

Eu dei duas estrelas para o livro porque para mim nada salvou, não gostei da escrita, não gostei dos personagens e não gostei da história, apesar da premissa ser bem interessante.

Eu fiquei curiosa no entanto, sobre livros que misturam focos narrativos em primeira e terceira pessoa. Será que feito de uma forma melhor esse artifício pode dar certo, ou é sempre ruim? Eu não me lembro de ter lido outros livros que fazem isso. Então queria o feedback de vocês. Vocês já leram um livro assim? O que acham sobre isso? Misturar focos narrativos dá certo ou não?

Beijos e Feliz Halloween jack-icon

Na estante: Suicidas

Olá pessoal, tudo bom?

Outro livro para o nosso especial de Halloween. Dessa vez um romance policial.

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Porque eu li: 
Eu não estava com a menor vontade de pegar esse livro apesar de achar a premissa bem interessante. Foi outro livro escolhido para livro do mês no nosso grupo de leitura e, como eu sempre tento lê-los, eu me obriguei a pegar antes da discussão apenas para me apaixonar. Além disso, é um livro nacional que era o tema do mês.

Como eu li: Eu li a versão em ebook porque não dava tempo de comprar a versão física  e andei acumulando muitos livros. (em outras palavras, viciei e tive que comprar todos os livros da série Trono de Vidro, que foi o livro do mês retrasado =/)

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O espaço: A história acontece no Rio de Janeiro e tem uma organização parecida com a do livro Os Três, que eu percebi é um tipo de organização de narrativa que eu gosto muito, e que eu apelidei de “dossiê”. O livro tem três “caminhos narrativos” que se intercalam e que fazem construção da história muito interessante.

A história: A história é um pouco difícil de explicar por causa desses três caminhos que eu citei. Algumas mães que perderam seus filhos em um suicídio coletivo há um ano são chamadas na delegacia para uma nova investigação. Devido a alguns mistérios ainda não resolvidos envolvendo aquele acontecimento, a delegada chama as mães dos suicidas para ouvir uma narração dos fatos daquele dia que foi escrita por um dos jovens antes de morrer, esperando que alguma delas tenha algo a acrescentar para a investigação. Então, acompanhamos alternadamente a reação das mães na delegacia, a narrativa dos acontecimentos do dia do suicídio pelo Alê e outras anotações feitas pelo mesmo antes do acidente (óbvio) com informações relacionadas a história e os personagens.

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Personagens:

Alessandro – É o personagem que mais se destaca na história por ser o narrador-personagem em 2/3 do livro. Ele é um dos suicidas e descreve os acontecimentos que os levam até os suicídios com o objetivo de ser publicado depois de sua morte. Alê é um jovem um pouco complexo, ele é muito inteligente e crítico. Narra seus fatos como se soubesse estar a cima de todos a sua volta intelectualmente, demonstrando uma certa arrogância e superioridade. Ele também é bem revoltado e irônico. Tudo e todos parecem ser tediosos perante o seu intelecto. Ele descreve seus “personagens” como se soubesse tudo sobre eles e os julga por seu caráter radicalmente.

Zak –  É o melhor amigo de Alê, e exatamnete o seu oposto. Ele é um garoto bonito, forte, popular e rico, que está intelectualmente bem abaixo de Alê. Zak é um clichê, mas isso não o torna um peso na história. Apesar de saber que o amigo é um jovem totalmente comum e leviano, Alê demonstra ter muito ciúmes da vida fácil do amigo, em relação a mulheres, dinheiro, faculdade.

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Desenvolvimento: O desenvolvimento da história vai nos levando a entender os motivos que levaram 9 jovens, aparentemente “normais” e sem motivos, a entraram em um jogo de roleta-russa do qual ninguém sobreviveria. Todos os jovens são bem-humorados, e agem com normalidade o que causa estranhamento ao leitor que tem conhecimento que eles já se mataram. Isso cria no livro uma curiosidade constante. Ao mesmo tempo, acompanhamos o desenvolvimento do depoimento das mães, e de alguns mistérios e fatos que não se encaixam e continuam a ser investigados pela polícia.

O que eu achei: O romance policial é muito bem escrito. A história relativamente simples contada em três ramificações diferentes traz uma complexidade e uma originalidade, que como vocês sabem, eu adoro. Muitas pessoas consideram isso uma “máscara” para encobrir falhas, mas eu acho sensacional. Se você já tentou escrever uma narrativa linear e cronológica, deve saber o quanto é difícil, imagino que essa forma seja mais ainda.

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Considerações finais: O livro é bem interessante, com personagens muito bem construídos e um enredo de tirar o fôlego(olha a minha frase clichê que um dia eles vão escrever na contra-capa do livro junto com a resenha do New York Times). Gostei que a cada capítulo você descobre uma informação nova mais chocante que faz você não conseguir largar o livro. Algumas partes são bem fortes e descritivas; tive que parar para respirar e processar o que estava lendo. Não recomendo se você não gosta de emoções fortes, porque sim, é muito forte. Mesmo sabendo o título, eu não imaginava que ele narraria as mortes de uma forma tão exposta e foi apenas uma das formas com a qual o livro me surpreendeu.

suicidasorigEu gostei muito e dei 5 estrelas, mas não recomendo para todos os leitores por ser um livro bem forte.

Vocês já ouviram falar desse livro? Já leram? Querem ler? Me contem nos comentários os seus pensamentos.

Beijos e Feliz Halloween jack-icon