Série terminada: Feita de Fumaça e Osso

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Olá pessoal,

Estou aqui para compartilhar a minha experiência lendo a Série Feita de Fumaça e Osso da Laini Taylor. Eu já havia feito a resenha do primeiro e do segundo livro aqui no blog (link para a resenha) e prometido uma mini-resenha quando eu terminasse a série.

Eu demorei alguns meses para pegar o livro de conclusão da série Sonhos com Deuses e Monstros porque eu fiquei um pouco desanimada depois de acabar o segundo. Não que o livro seja chato, mas achei meio pesado. A escrita da Laini Taylor, como eu já mencionei na resenha, é um pouco mais rebuscada do que estamos acostumados e ela não tem pressa em escrever suas histórias. Portanto, depois de ler o primeiro e em seguida o segundo, eu tive quase certeza que se eu pegasse o terceiro não iria gostar muito, sabe? Ás vezes, você precisa deixar a história descansar um pouco, sentir saudade dos personagens e foi isso que eu fiz.

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Então, em abril decidi voltar à história. Já havia visto muitas pessoas descrevendo o seu desfecho como satisfatório. E não entendia como, mas agora entendo. Foi exatamente o que eu achei. O livro tem passagens de tirar o fôlego, partes surpreendentes e incríveis sim! Foi um final bem legal e interessante. A escrita linda da autora me fez chorar em várias partes. Mas, não foi surpreendente. Foi satisfatório.

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Uma coisinha que me incomodou um pouquinho foi o romance. Geralmente, reclamamos pelo excesso, eu reclamo aqui pela falta. Ficamos o livro inteiro esperando e torcendo pela aproximação do casal, mas isso acontece lentamente. Gosto que o livro não é focado no romance, embora este seja o estopim de toda a história, mas o pay-off (quando realmente o casal fica junto) demora MUITO. Literalmente, a autora nos deixa sofrendo (e os deixa sofrendo) até a última página! Achei sem necessidade.

Fora uma parte no finalzinho. Depois que os conflitos que conhecemos da  história principal acaba, e um segundo antes do pay-off do romance, a autora colocou um plot-twist e um outro conflito que eu achei desnecessário. Talvez ela pensasse em escrever um próximo livro pra desenvolver aquela parte ali no finalzinho, mas sendo a conclusão da história achei extremamente desnecessário e só serviu para prolongar o sofrimento dos personagens e dos leitores. Não sei se consegui me expressar corretamente, mas quem leu sabe do que eu estou falando. Por mim essa foi uma falha grave da autora ali. Ela poderia ou ter desenvolvido mais aquele conflito no decorrer do livro, ou simplesmente tirado, e resolvido aquele núcleo da história (Stelians) de uma maneira mais simples.

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Mesmo assim, eu gostei bastante do livro. E dei 4,5 estrelas, 5 no Goodreads. Ainda sim, o meu preferido é o primeiro. E eu RECOMENDO demais a série.

Nem preciso dizer que eu gostaria muito que a autora continuasse a história, já que ela colocou todo esse conflito gigante nas últimas páginas do livro era teria espaço para desenvolver outra história, e quem sabe um spin-off. Gostaria muito de ter mais contato com a Karou e o Akiva, eles são personagens incríveis!

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Quem já leu, deixe sua opinião para podermos discutir essa série e quem ainda não leu, leia! Eu tenho certeza que você nunca leu nada como essa história.

Beijos e até o próximo.

 

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5 coisas que eu aprendi com “Yes, Please”

Olá pessoal,

Hoje, eu quero falar sobre as 5 coisas que eu aprendi lendo o livro: Yes, Please da Amy Poehler. Um livro sensacional e muito engraçado que eu acho que todos deveriam ler.

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1. “Good for her! Not for me.

Acho que a principal coisa que eu aprendi é o que a Amy chama do motto que todas as mulheres devem repetir para si mesmas: “Bom pra ela! Não pra mim.” No mundo competitivo que vivemos hoje, é muito difícil não cair na armadilha de querer ser igual a todo mundo e, principalmente, se provar melhor que os outros. Bom, eu odeio competitividade e competição exagerada, e odeio ainda mais quando alguém vem casualmente querer ser melhor que você: “Eu corri só 10 km hoje, estava cansada.”, “Eu só li 10 livros esse mês, tive muita coisa pra fazer.”, “Eu comi um tomate inteiro hoje, acabei com a dieta.”, “Estou usando 38! Estou muito gorda.”, etc. Essas coisas geralmente me fazem sentir muito mal comigo mesma. Me sinto um fracasso porque eu só consigo correr por 2 minutos, ler 3 livros no mês pra mim já é muito (e exige algum esforço da minha parte), como arroz, feijão e bife e uso 46, mas não deveria ser assim. A gente esquece de que… e daí? Talvez a pessoa nem faça isso mesmo e esteja mentindo para chamar atenção, ou talvez ela faça mesmo e ai você repete: “Bom pra ela! Não pra mim.”. Não é porque os outros fazem ou são algo, que obrigatoriamente isso faz sentido pra sua vida. Ai ai, quando você aprende isso, é como um peso que sai das suas costas.

2. “Learn how to live with your demon.”

Segundo a Amy (e eu concordo 100%), todos temos um demônio na cabeça que fica repetindo coisas como: “Você é feia.”, “Você não merece.”, “Você não vai conseguir.”, “Fulano é muito melhor que você.”. Então, o que acontece é que nós ficamos ouvindo esse demônio e acabamos acreditando no que ele fala. Quanto mais você o alimenta, mais ele cresce e fica forte e começa a ocupar um maior espaço na sua cabeça. Ou então, você pode simplesmente deixar ele pra lá. Ele nunca vai sumir, mas mesmo assim quando ele disser: “Você está gorda.”, você pode concordar e ficar triste ou responder: “Estou mesmo, mas eu vou por essa minissaia e vou me divertir mesmo assim”. Ou “Tá bem, tá bem, eu sei que eu sou feia, mas agora estou ocupada aqui com esse gato, então mais tarde a gente se fala”.

3. “What your currency is going to be?”

“If you are lucky, there is a moment in your life when you have some say as to what your currency is going to be. I decided early on it was not going to be my looks. Decide what your currency is early. Let go of what you will never have. People who do this are happier and sexier.” (Amy Poehler)

“Se você tiver sorte, haverá um momento em sua vida que você vai entender qual é o seu ponto forte. Eu decidi bem cedo que o meu não seria a minha aparência. Decida qual o seu ponto forte cedo. Deixe pra lá o que você nunca vai ter. Pessoas que fazem isso são mais felizes e mais sexy. (Tradução livre)

A Amy me fez ver que realmente é importante você decidir qual é seu ponto forte e o que você nunca vai ser. Ninguém é bonito, inteligente, engraçado, corajoso, persistente e tudo de bom ao mesmo tempo. Mas, todos temos algo que nos define, o nosso ponto forte, algo em que nós somos muito bons. Então, ao invés de tentar depender seu sucesso em algo que você não é, ou não tem, aceite que isso é normal e invista nas qualidades que você já fazem parte de você.

4. “An apology is a glorious release.”

Pedir desculpas nem sempre é tão fácil. Existem vários cenários. Ás vezes, você sabe que está errado, mas seu orgulho não deixa você se redimir. Ás vezes, você pode simplesmente não perceber que está errado. Às vezes, você quer que a pessoa admita que está errada antes. Ou ás vezes, você simplesmente tem vergonha de admitir que está errado. Mas, nada pior do que viver com aquela nuvem preta de angústia sobre sua cabeça, sabendo que algo não está certo. Isso é um exercício para a vida, mas a Amy me ensinou que nunca é tarde para admitir que você errou e pedir desculpas.

5. “God punished us with the gift of being able to fake it.”

O capítulo “My World-Famous Sex Advice” (Meu mundialmente famoso conselho sobre sexo – trad. livre) foi provavelmente o que eu mais ri no livro inteiro. A autora realmente soube sintetizar e tratar de uma maneira bem relax e normal os seus concelhos tanto pros homens quanto pras mulheres. Mas, uma coisa que eu aprendi é que a gente não deve ficar se cobrando e pensando muito sobre o que deve ou não acontecer nesses momentos íntimos. Muitas vezes, nós mulheres botamos essas cobranças gigantes na nossa cabeça, baseadas em romances e revistas totalmente idiotas que nos fazem acreditar que vamos ter um orgasmo fantástico na primeira vez e orgasmos múltiplos a partir da segunda vez. Mas, não é bem assim. E quando admitimos isso para nós mesmas, que nem sempre vai acontecer, podemos aproveitar muito mais a viagem sem ficar nos focando em “chegar lá”.

9780062350886_p0_v4_s260x420Esse livro é recomendadíssimo! Eu ouvi ele em audiobook, o qual é narrado pela própria Amy! Várias vezes me peguei rindo alto com ela, mas ao mesmo tempo ela não tem um humor forçado ou sarcástico. Gostei muito do formato porque eu tenho certeza que é mais proveitoso que o livro físico. Esse livro é meio que uma biografia, uma auto-ajuda, uma comédia e uma lição de vida em um livro só. Eu dei 4 estrelas e já estou órfã de ter a Amy (virou íntima) como companhia de academia ;(.

Beijos e até o próximo

Resenha/Discussão: O Sol é Para Todos

Olá pessoal, tudo bem?

Pensar que essa resenha já estava programada para essa semana e na sexta-feira a autora Harper Lee faleceu. Então, fica aqui minha singela homenagem e resenha para essa autora fantástica.

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Contexto: Harper Lee nasceu em 1926, em uma cidadezinha do Alabama, nos  Estados Unidos. Segundo ela, foi essa própria cidadezinha Monroeville, seus habitantes e um caso ocorrido em uma cidade próxima que serviram de inspiração para o seu romance. O livro O Sol é Para Todos foi lançado em 1960 se tornando um sucesso imediato, ganhando o Prêmio Pulitzer de Literatura apenas um ano após sua publicação. É considerado um dos melhores romances do século XX, o que lhe rendeu a posição de clássico muito mais rápido do que qualquer outro romance na história. Hoje, O Sol é para Todos é um pilar da literatura americana e leitura obrigatória para todos.

O Espaço: A história acontece em um pequeno município no sul dos Estados Unidos, Maycomb, no Alabama. E se passa em 1930.

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A história: A família Finch é uma família tradicional de Maycomb, onde ser tradicional importa mais que qualquer coisa. A história é narrada por Scout, a filha de 9 anos de Atticus Finch, um “famoso”advogado da cidade. Scout narra os acontecimentos que precederam e sucederem um importante caso que aconteceu na cidade: um homem negro foi acusado de estuprar uma mulher branca e Atticus ficou responsável por defendê-lo, o que foi visto de maneira muito negativa pela sociedade conservadora e preconceituosa da região.

Personagens:

Scout é uma menina muito arteira e nada feminina. Por isso, ela ás vezes é vista com maus olhos pela sociedade. Ela tem um irmão mais velho, o Jem, quem ela admira e passa a maior parte do tempo junto. Por ser filha de um advogado, ela é bem madura e astuta para a sua idade. Ela começa a contar a história com 9/10 anos, narrando os acontecimentos a partir dos seus 5 anos de idade e no decorrer da história entendemos a importância que esses acontecimentos têm.

Atticus é talvez o personagem mais significativo do livro. Como pai viúvo e advogado, ele cria seus filhos de uma maneira bem direta, explicando e ensinando tudo que os meninos têm curiosidade em saber. Atticus é um personagem muito a frente de seu tempo e da mentalidade da maioria dos cidadãos de Maycomb. Ao contrário de todos os outros personagens, ele não julga as pessoas pela reputação delas, mas sim pelo o que elas são, o que tenta passar para os filhos constantemente.

Boo Radley é um homem que vive recluso em uma casa perto dos Finch. Ele é um grande mistério no livro. Scout e Jem desenvolvem certa obsessão em saber sobre e ver Boo, e suas tentativas frustradas só aumentam sua curiosidade. Com o tempo, mesmo sem vê-lo, as crianças desenvolvem um relacionamento amistoso com o homem, que vai fazer toda a diferença no decorrer da história.

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O julgamento: O ponto principal e maior divisor de águas da história é o julgamento de Tom Robinson. Tom é um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca Mayella Ewell, filha de Bob Ewell, e pertencente a uma das famílias mais problemáticas e carentes da região. No início, Scout e Jem se incomodam profundamente por o pai estar defendendo um homem negro, o que não é nada bem visto nos anos 30. Eles passam por vários problemas e ridicularizações por causa da atitude de seu pai, tanto na escola como de conhecidos. No entanto, após conversar com as crianças elas acabam aceitando de alguma forma e até indo clandestinamente assistir o julgamento e torcer pelo pai. Logo, eles percebem que apesar de os fatos mostrarem claramente que Tom é inocente, o fato de ele ser negro não permite que as pessoas enxerguem ou aceitem isto.

Desfecho: No decorrer da história, principalmente após o julgamento e seus desdobramentos, as crianças vão amadurecendo e compreendendo mais sobre tolerância, preconceito e justiça. Scout, particularmente, começa a enxergar como o racismo, o preconceito e o julgamento naquela sociedade fazem com que as pessoas fiquem cegas ou simplesmente não queiram ver, pois é muito mais fácil concordar com algo errado do que lutar pelo certo. No final do livro, percebemos um crescimento e uma maturidade na personagem que não estava ali no começo do livro, apesar de ela já ser um personagem mais maduro com pouca idade. Acompanhar esse crescimento e essa perda de inocência da personagem é uma das coisas mais fantásticas desse livro.

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Discussão: É muito interessante como a autora trabalhou a voz da personagem narradora que é uma criança. Apesar de enxergarmos o caráter infantil de sua fala, este não é exagerado e infantiloide. A sagacidade de Scout (saber ler antes de ir pra escola, por exemplo) e seu convívio com Atticus, ambos se fazem presentes em seu discurso. Esse discurso também vai se modificando de acordo com os acontecimentos do romance e foi uma das questões mais interessantes para mim; o discurso muito verossímil dessa personagem: inteligente, astuto, curioso, mas sem deixar de ser infantil.

O livro trata claramente da questão do preconceito, não só do preconceito racial, mas claramente todos na cidade tem certa reputação e são conhecidos por algo, seja pela família, por algo que faz, pelo jeito que vive, e são julgados constante e injustamente por isso.

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Outra questão interessante é o personagem de Atticus, que parece ser o único que não se encaixa nesse modo “preconceituoso” daquela sociedade e tenta influenciar os filhos a serem do mesmo modo. Ele sempre procura saber coisas das pessoas que ninguém sabe e assim quebra esse estigma. Com o tempo, seus próprios filhos vão aprendendo isso, e perdendo o preconceito que têm com os vizinhos, com os colegas de escola e até com o próprio pai.

O título original desse livro é um dos títulos mais interessantes e bonitos que eu já vi. “To kill a mockinbird”, ou matar um rouxinol, é a uma metáfora linda para remeter a perda da inocência e o senso de julgamento das pessoas do livro. Acho lindo.

Quem já leu esse livro ou quer ler deixa a sua opinião aqui nos comentários.

Beijos.

Resenha: Mentirosos

Bom dia pessoal,

Eu sei que eu ando muito atrasada com minhas resenhas e posts. Mas, várias coisas andaram acontecendo e mudando; e eu tenho escrito muito muito muito para outros projetos. Mas chega de desculpa. E vamos pra mais uma resenha que afinal são os posts que eu mais gosto de fazer.

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Porque eu li: Esse eu li puramente por indicação de… bom, toda a internet! Em todo lugar cibernético que eu frequento, eu vejo as pessoas elogiando muito esse livro, dizendo que foi o livro mais surpreendente que eles já leram, etc.

Como eu li: Eu li a versão física publicada pela Editora Seguinte. (obs: alguém mais se incomoda com as lombadas “ao contrário” deles? Porque me incomoda MUITO! Guardo os livros de ponta cabeça, hehe.)

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O espaço: A história se passa praticamente na ilha ficcional de Beechwood, em Massachusetts, EUA.

A história: A história gira em torno da família Sinclair. Uma família muito rica, mas também muito complicada. Os Sinclair tem 3 filhas que por sua vez têm alguns filhos cada uma e a nossa personagem principal é a filha única de uma delas: Cadence. Todos os verões de sua vida, Candence passou na ilha de Beechwood, propriedade de seus avós, com seus primos e tias. Mas, há dois anos durante as férias, ela sofreu um acidente muito grave do qual não se lembra e ninguém parece querer comentar com ela. Desde então, batalha com problemas psicológicos recorrentes do acidente e tenta desvendar o que afinal aconteceu naquelas férias.

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Personagens: Desde a primeira página do livro que o narrador deixa claro que a Família Sinclair é aquela família perfeita e adorável, na qual todos são (e TEM que ser) bem-sucedidos, educados e centrados. Aquela família de capa de revista, que como todos sabemos não existe. Os avós vivem e respiram esse moto e não parecem ter problema algum com isso. As tias e mãe de Cadence, já parecem tentar transgredir um pouco as “regras”, embora elas saibam que para serem aceitas (aka ajudadas pelos pais e merecedoras da herança) elas têm que viver daquela forma.  Já os primos e a própria Candence se incomodam demais tanto com a falsa aparência que os avós pregam, quanto com a conformidade de suas mães.

Desenvolvimento: Conforme o livro se desenvolve percebemos que a família Sinclair está, obviamente, a quilômetros de distância da perfeição que os próprios pregam. Ainda mais depois do acidente de Candence. Depois do acidente, além de estar psicologicamente instável, o que incomoda a família, Candance começa a questionar todos os costumes e exageros dos Sinclair. Coisas que eram comuns como: estátuas de mármore e closets lotados, passam a não significar nada para ela. E isso desperta um certo incomodo famíliar. Além de ninguém querer falar para ela sobre o acidente, as pessoas tentam agir como se nada tivesse acontecido, e todos estivessem perfeitamente bem.

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O que eu achei: Eu comecei o livro dando pulinhos de alegria. Eu adoro ler sobre famílias como os Sinclair, perfeitas no exterior e podres no interior, os problemas de quem tem muito dinheiro, etc. Acho muito interessante mesmo, mas não foi isso que ocorreu durante o livro. Achei que o livro foca muito no que a Candence está sentindo em relação a si própria, e principalmente, ao romance que ela tem com um garoto que sua família não aprova. Achei o romance e o descontentamento da personagem até interessante, mas eu não gostei que essa parte interessante da família fica meio que jogada de lado. Quando você para pra pensar, a Candence poderia esta em qualquer família, de qualquer posição social e tudo aquilo poderia ter acontecido quase da mesma forma. Assim, eu não vi como a família Sinclair em particular influenciou a vida dessa menina. Alias, eu até vi, mas achei que foi algo extremamente superficial e raso, que a autora poderia ter trabalhado muito mais.

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Considerações finais: Na minha opinião, o livro é até que bem escritinho, mas ele não tem a profundidade que eu esperava dado o que a autora propõe logo na primeira página. Eu gostaria de ver mais o lado podre e mesquinho dos Sinclair, mas eu até que não achei eles tão ruins assim. O “final surpreendente”, então, foi o que mais me decepcionou sobre o livro. Primeiro que eu não achei nada de surpreendente. Sei que isso depende muito da experiência da pessoa como leitor e expectador, mas eu já assisti pelo menos uns 5 filmes com o mesmo tipo de final, dessa forma, não teve nada de novo (ou de surpresa) pra mim. Mas, o principal, é que no final parece que os Sinclair ficam como que “vítimas” da história e a Candence a “vilã”. Não gostei nada disso, e acho que no final as mudanças que a família sofreu não refletiu como o fruto de seus próprios erros, mas como os de Candence.

Eu dei 2 estrelas para Os Mentirosos, simplesmente porque a história promete algo profundo e nos entrega personagens e conflitos rasos.

Me deixem nos comentários que vocês gostaram do livro.

Beijos e até o próximo.

Metzengerstein #12mesesdePoe

Olá pessoal,

Como vocês sabem eu estou participando do Desafio de Leitura #12mesesdePoe do blog Anna Costa. Se quiserem saber mais tem post explicando aqui no blog e no blog dela, é só clicar nos links acima.

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Eu tinha citado no meu post que talvez fizesse uma mini resenha de cada conto para acompanhar as leituras e eu decidir fazê-las. Tentarei postar sempre no final do mês. Como foi sugerido por ela, o conto de Janeiro foi: Metzengerstein, e eu atrasada só fiquei sabendo do desafio semana passada e por isso a resenha atrasada.

Metzengerstein é sobre duas famílias húngaras rivais, os Metzengerstein e os Berlifitzing que desde sempre viveram em discórdia. O herdeiro dos Metzengerstein é um jovem orfão de 15 anos totalmente sem escrúpulos e caráter. O seu rival conde Berlifitzing já é um homem idoso que gosta muito de cavalos e caça. Um dia, um incêndio se alastra pelas estribarias deste, o que todos acreditam ter sido mais uma atitude pavorosa do jovem Metzengerstein. Neste incêndio, um cavalo misterioso e arredio é encontrado na propriedade de Metzengerstein.  E este instantaneamente fica obcecado por pelo animal.

Não vou contar muito porque é um conto muito curtinho, mas espero ter despertado o interesse de vocês.

Achei o conto bem conciso e, ao mesmo tempo, quanto mais você pensa nele, mais interpretações e conclusões você tira e mais dá aquele arrepio na espinha (que só o Poe sabe dar). Eu adoro como o Poe é o rei do Mood. Ou seja, no começo do conto o narrador constrói a atmosfera da história: descrevendo o ambiente fantasmagórico e as crenças que o levaram a escrever essa história, do modo que se você não prestar atenção, não vai fazer muito sentido no final. Por ter essa característica, ás vezes vale a pena até voltar ao começo do conto ou ler de novo para entender. Porque, geralmente, o que você precisa para entender a história, o autor nos apresenta antes mesmo da história começar e não depois como nosso cérebro preguiçoso está acostumado.

Nesta história, por exemplo, o autor abre com uma epígrafe muito interessante:

 “Vivo era sua praga. Morto, serei sua morte.” 

Martinho Lutero

Ele ainda cita a questão da metempsicose, que é a crença que depois de morta uma alma pode reviver em qualquer outro corpo, um humano, um animal, uma planta, etc; o que segundo o narrador é uma superstição daquela parte da Hungria. Assim, como a frase: “Um nome elevado sofrerá queda mortal quando, como o cavaleiro sobre seu cavalo, a mortalidade de Metzengerstein triunfar da imortalidade de Berlifitzing.” Todas essas coisas não fazem muito sentido no começo da história, mas ao chegar ao final percebemos a genialidade da construção da narrativa de Poe.

Vocês gostaram da história? Eu adorei. Deixem suas opiniões nos comentários e não esqueçam de participar do desafio. Lembrando que o próximo conto é O Demônio da Perversidade.

Beijos e até o próximo.