Resenha/Discussão: O Sol é Para Todos

Olá pessoal, tudo bem?

Pensar que essa resenha já estava programada para essa semana e na sexta-feira a autora Harper Lee faleceu. Então, fica aqui minha singela homenagem e resenha para essa autora fantástica.

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Contexto: Harper Lee nasceu em 1926, em uma cidadezinha do Alabama, nos  Estados Unidos. Segundo ela, foi essa própria cidadezinha Monroeville, seus habitantes e um caso ocorrido em uma cidade próxima que serviram de inspiração para o seu romance. O livro O Sol é Para Todos foi lançado em 1960 se tornando um sucesso imediato, ganhando o Prêmio Pulitzer de Literatura apenas um ano após sua publicação. É considerado um dos melhores romances do século XX, o que lhe rendeu a posição de clássico muito mais rápido do que qualquer outro romance na história. Hoje, O Sol é para Todos é um pilar da literatura americana e leitura obrigatória para todos.

O Espaço: A história acontece em um pequeno município no sul dos Estados Unidos, Maycomb, no Alabama. E se passa em 1930.

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A história: A família Finch é uma família tradicional de Maycomb, onde ser tradicional importa mais que qualquer coisa. A história é narrada por Scout, a filha de 9 anos de Atticus Finch, um “famoso”advogado da cidade. Scout narra os acontecimentos que precederam e sucederem um importante caso que aconteceu na cidade: um homem negro foi acusado de estuprar uma mulher branca e Atticus ficou responsável por defendê-lo, o que foi visto de maneira muito negativa pela sociedade conservadora e preconceituosa da região.

Personagens:

Scout é uma menina muito arteira e nada feminina. Por isso, ela ás vezes é vista com maus olhos pela sociedade. Ela tem um irmão mais velho, o Jem, quem ela admira e passa a maior parte do tempo junto. Por ser filha de um advogado, ela é bem madura e astuta para a sua idade. Ela começa a contar a história com 9/10 anos, narrando os acontecimentos a partir dos seus 5 anos de idade e no decorrer da história entendemos a importância que esses acontecimentos têm.

Atticus é talvez o personagem mais significativo do livro. Como pai viúvo e advogado, ele cria seus filhos de uma maneira bem direta, explicando e ensinando tudo que os meninos têm curiosidade em saber. Atticus é um personagem muito a frente de seu tempo e da mentalidade da maioria dos cidadãos de Maycomb. Ao contrário de todos os outros personagens, ele não julga as pessoas pela reputação delas, mas sim pelo o que elas são, o que tenta passar para os filhos constantemente.

Boo Radley é um homem que vive recluso em uma casa perto dos Finch. Ele é um grande mistério no livro. Scout e Jem desenvolvem certa obsessão em saber sobre e ver Boo, e suas tentativas frustradas só aumentam sua curiosidade. Com o tempo, mesmo sem vê-lo, as crianças desenvolvem um relacionamento amistoso com o homem, que vai fazer toda a diferença no decorrer da história.

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O julgamento: O ponto principal e maior divisor de águas da história é o julgamento de Tom Robinson. Tom é um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca Mayella Ewell, filha de Bob Ewell, e pertencente a uma das famílias mais problemáticas e carentes da região. No início, Scout e Jem se incomodam profundamente por o pai estar defendendo um homem negro, o que não é nada bem visto nos anos 30. Eles passam por vários problemas e ridicularizações por causa da atitude de seu pai, tanto na escola como de conhecidos. No entanto, após conversar com as crianças elas acabam aceitando de alguma forma e até indo clandestinamente assistir o julgamento e torcer pelo pai. Logo, eles percebem que apesar de os fatos mostrarem claramente que Tom é inocente, o fato de ele ser negro não permite que as pessoas enxerguem ou aceitem isto.

Desfecho: No decorrer da história, principalmente após o julgamento e seus desdobramentos, as crianças vão amadurecendo e compreendendo mais sobre tolerância, preconceito e justiça. Scout, particularmente, começa a enxergar como o racismo, o preconceito e o julgamento naquela sociedade fazem com que as pessoas fiquem cegas ou simplesmente não queiram ver, pois é muito mais fácil concordar com algo errado do que lutar pelo certo. No final do livro, percebemos um crescimento e uma maturidade na personagem que não estava ali no começo do livro, apesar de ela já ser um personagem mais maduro com pouca idade. Acompanhar esse crescimento e essa perda de inocência da personagem é uma das coisas mais fantásticas desse livro.

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Discussão: É muito interessante como a autora trabalhou a voz da personagem narradora que é uma criança. Apesar de enxergarmos o caráter infantil de sua fala, este não é exagerado e infantiloide. A sagacidade de Scout (saber ler antes de ir pra escola, por exemplo) e seu convívio com Atticus, ambos se fazem presentes em seu discurso. Esse discurso também vai se modificando de acordo com os acontecimentos do romance e foi uma das questões mais interessantes para mim; o discurso muito verossímil dessa personagem: inteligente, astuto, curioso, mas sem deixar de ser infantil.

O livro trata claramente da questão do preconceito, não só do preconceito racial, mas claramente todos na cidade tem certa reputação e são conhecidos por algo, seja pela família, por algo que faz, pelo jeito que vive, e são julgados constante e injustamente por isso.

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Outra questão interessante é o personagem de Atticus, que parece ser o único que não se encaixa nesse modo “preconceituoso” daquela sociedade e tenta influenciar os filhos a serem do mesmo modo. Ele sempre procura saber coisas das pessoas que ninguém sabe e assim quebra esse estigma. Com o tempo, seus próprios filhos vão aprendendo isso, e perdendo o preconceito que têm com os vizinhos, com os colegas de escola e até com o próprio pai.

O título original desse livro é um dos títulos mais interessantes e bonitos que eu já vi. “To kill a mockinbird”, ou matar um rouxinol, é a uma metáfora linda para remeter a perda da inocência e o senso de julgamento das pessoas do livro. Acho lindo.

Quem já leu esse livro ou quer ler deixa a sua opinião aqui nos comentários.

Beijos.

Resenha: Mentirosos

Bom dia pessoal,

Eu sei que eu ando muito atrasada com minhas resenhas e posts. Mas, várias coisas andaram acontecendo e mudando; e eu tenho escrito muito muito muito para outros projetos. Mas chega de desculpa. E vamos pra mais uma resenha que afinal são os posts que eu mais gosto de fazer.

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Porque eu li: Esse eu li puramente por indicação de… bom, toda a internet! Em todo lugar cibernético que eu frequento, eu vejo as pessoas elogiando muito esse livro, dizendo que foi o livro mais surpreendente que eles já leram, etc.

Como eu li: Eu li a versão física publicada pela Editora Seguinte. (obs: alguém mais se incomoda com as lombadas “ao contrário” deles? Porque me incomoda MUITO! Guardo os livros de ponta cabeça, hehe.)

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O espaço: A história se passa praticamente na ilha ficcional de Beechwood, em Massachusetts, EUA.

A história: A história gira em torno da família Sinclair. Uma família muito rica, mas também muito complicada. Os Sinclair tem 3 filhas que por sua vez têm alguns filhos cada uma e a nossa personagem principal é a filha única de uma delas: Cadence. Todos os verões de sua vida, Candence passou na ilha de Beechwood, propriedade de seus avós, com seus primos e tias. Mas, há dois anos durante as férias, ela sofreu um acidente muito grave do qual não se lembra e ninguém parece querer comentar com ela. Desde então, batalha com problemas psicológicos recorrentes do acidente e tenta desvendar o que afinal aconteceu naquelas férias.

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Personagens: Desde a primeira página do livro que o narrador deixa claro que a Família Sinclair é aquela família perfeita e adorável, na qual todos são (e TEM que ser) bem-sucedidos, educados e centrados. Aquela família de capa de revista, que como todos sabemos não existe. Os avós vivem e respiram esse moto e não parecem ter problema algum com isso. As tias e mãe de Cadence, já parecem tentar transgredir um pouco as “regras”, embora elas saibam que para serem aceitas (aka ajudadas pelos pais e merecedoras da herança) elas têm que viver daquela forma.  Já os primos e a própria Candence se incomodam demais tanto com a falsa aparência que os avós pregam, quanto com a conformidade de suas mães.

Desenvolvimento: Conforme o livro se desenvolve percebemos que a família Sinclair está, obviamente, a quilômetros de distância da perfeição que os próprios pregam. Ainda mais depois do acidente de Candence. Depois do acidente, além de estar psicologicamente instável, o que incomoda a família, Candance começa a questionar todos os costumes e exageros dos Sinclair. Coisas que eram comuns como: estátuas de mármore e closets lotados, passam a não significar nada para ela. E isso desperta um certo incomodo famíliar. Além de ninguém querer falar para ela sobre o acidente, as pessoas tentam agir como se nada tivesse acontecido, e todos estivessem perfeitamente bem.

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O que eu achei: Eu comecei o livro dando pulinhos de alegria. Eu adoro ler sobre famílias como os Sinclair, perfeitas no exterior e podres no interior, os problemas de quem tem muito dinheiro, etc. Acho muito interessante mesmo, mas não foi isso que ocorreu durante o livro. Achei que o livro foca muito no que a Candence está sentindo em relação a si própria, e principalmente, ao romance que ela tem com um garoto que sua família não aprova. Achei o romance e o descontentamento da personagem até interessante, mas eu não gostei que essa parte interessante da família fica meio que jogada de lado. Quando você para pra pensar, a Candence poderia esta em qualquer família, de qualquer posição social e tudo aquilo poderia ter acontecido quase da mesma forma. Assim, eu não vi como a família Sinclair em particular influenciou a vida dessa menina. Alias, eu até vi, mas achei que foi algo extremamente superficial e raso, que a autora poderia ter trabalhado muito mais.

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Considerações finais: Na minha opinião, o livro é até que bem escritinho, mas ele não tem a profundidade que eu esperava dado o que a autora propõe logo na primeira página. Eu gostaria de ver mais o lado podre e mesquinho dos Sinclair, mas eu até que não achei eles tão ruins assim. O “final surpreendente”, então, foi o que mais me decepcionou sobre o livro. Primeiro que eu não achei nada de surpreendente. Sei que isso depende muito da experiência da pessoa como leitor e expectador, mas eu já assisti pelo menos uns 5 filmes com o mesmo tipo de final, dessa forma, não teve nada de novo (ou de surpresa) pra mim. Mas, o principal, é que no final parece que os Sinclair ficam como que “vítimas” da história e a Candence a “vilã”. Não gostei nada disso, e acho que no final as mudanças que a família sofreu não refletiu como o fruto de seus próprios erros, mas como os de Candence.

Eu dei 2 estrelas para Os Mentirosos, simplesmente porque a história promete algo profundo e nos entrega personagens e conflitos rasos.

Me deixem nos comentários que vocês gostaram do livro.

Beijos e até o próximo.

Inspiração: Inglaterra parte II

Dinastia Tudor

Olá pessoal, tudo bom?

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Continuando as indicações de séries e filmes sobre a história inglesa. Hoje eu vou falar da dinastia Tudor. Se você não leu o meu primeiro post sobre a Guerra das Rosas, clique aqui.

THE TUDORS

Esta é outra série sobre o assunto, mas que é bem mais conhecida e famosa. Lembro quando eu era menor eu assistia na TV (não sei como, porque tem cenas bem inapropriadas para menores de 18 anos rs). Esta tem 4 temporadas.

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Lembram o Henry Tudor do outro post? Pois é. A mãe dele fez, que fez, que fez, que conseguiu botar o filho no trono da Inglaterra como tinha prometido e assim começou a dinastia Tudor. The Tudors é sobre o reinado do filho dele, Henry VIII, que é um rei muito famoso da Inglaterra. Por que? Por causa da Ana Bolena. Tenho certeza que já ouviu falar dela.

THE TUDORS

O rei muito jovem se casou com Catarina de Aragão, que era bem mais velha, religiosa e que foi casada com seu irmão que morreu. Ele era conhecido por ser um rei muito viril e vaidoso que queria provar seus dotes com todas as mulheres da corte. Ele e Catarina tiveram vários filhos, mas todos morreram e somente uma menina Mary que sobreviveu. Isso o incomodava profundamente, e o levou a atitudes drásticas. Ele se apaixonou por Ana Bolena, uma jovem da corte recém-chegada da França. No entanto, Ana Bolena não cedeu as “investidas” do rei, como as outras e disse que só iria para a cama com ele se ela a fizesse sua rainha. Utilizando-se o fato de não conseguir ter filhos homens com Catarina e de que talvez o casamento dela com seu irmão havia sido consumado e portando o dele com ela seria inválido e contra as leis divinas, ele pede à Igreja a anulação do seu casamento para se casar com a Ana Bolena, que lhe prometia muitos e muitos filhos varões. O papa nega e então ele decide romper com a Igreja e funda então a Igreja Anglicana, a qual o rei é a maior autoridade e que é até hoje a religião principal na Inglaterra.

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Lógico que Catarina fica muito chateada, já que fica claro que as desculpas que Henry usa para anular seu casamento são apenas isso mesmo, desculpas para “ficar” com Bolena. Dizem que ela “jogou uma praga” no rei e disse que ele poderia casar com quantas quiser que ele jamais teria um herdeiro homem. E não é que essas rainhas inglesas tem boca santa! Henry VIII acabou casando mais 5 vezes não teve nenhum herdeiro que chegou a fase adulta. O que nos leva a próxima parte da nossa história (no próximo post sobre o período Elizabetano).

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Mulheres de Henry VIII

Gostei dessa série por ser maravilhosamente produzida. Ela foi mais afundo na vida de Henrique VIII que geralmente se condensa até ele casar com Ana Bolena. Mas o rei teve muitas outras mulheres e a série mostra isso bem. Como ele se envolvia com as mulheres, como ele era vaidoso ao extremo e isso influenciava no seu reinado assim como o deixava influenciável. Mostra o relacionamento que eles teve com suas filhas e com seu único filho e sua tirania. Eu amei tudo, mas já aviso que a série é muito sangrenta e tem muito sexo também. Mas nada gratuito.

A OUTRA

A outra é um filme baseado no livro da Philippa Gregory The Other Bollen Girl (A irmã de Ana Bolena, no Brasil). Conta a mesma história que o começo da série The Tudors que eu contei aqui em cima. No entanto, o filme e o romance focam no envolvimento dele com Ana Bolena e sua irmã Mary (a outra Bolena), com quem ele também se relacionou e talvez teve um filho. Enquanto a série passa bem superficialmente pelo relacionamento dele com Mary e a retrata de uma maneira bem diferente, ela continua mais adiante mostrando Henry com suas outras mulheres depois de Ana e o filme não. É um filme muito bom com a Natalie Portman e Scarlet Johanson e meio que resume essa história se você não quiser assistir as quatro temporadas de  The Tudors.

Vocês gostam de séries medievais? Já assistiram alguma? Me deixem sugestões nos comentários.

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Torre de Londres 

Beijos

Resenha: Garota exemplar – Gillian Flynn

Oi Gente, tudo bem?

Ai vamos falar logo desse livro deuso que está tirando o meu sono. Valha-me senhor! Essa resenha vai ficar enorme.

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Porque eu li: Eu e toda via láctea já ouvimos falar de como a Gillian Flynn é maravilhosa. Esse livro em particular ficou bem famoso por causa do filme, e eu nunca tinha tido vontade de ler/assistir. No entanto, eu acabei comprando o “Objetos Cortantes” por indicação, e pensei: por que não ler garota exemplar se todos falam tão bem? Aí minha curiosidade falou mais alto e eu peguei o filme pra assistir com meu namorado. Aí antes de a gente assistir, eu decidi que tinha que ler o livro primeiro senão não iria querer mais ler depois de ver o filme. Aí depois de acalmar a libriana dentro de mim (e convencer o meu namorado, que já estava pronto e convencido de assistir o filme, a me esperar ler o livro), eu comprei o livro e li. =)

Como eu li: Eu li na versão física publicada pela Intrínseca. O livro é bem grandinho e tem 443 páginas. Só tenho uma reclamação dessa edição. Eu queria a edição que combinava com a capa de objetos cortantes e esta não exite mais. A editora mudou a capa para a capa do filme e eu odeio isso! Se não quisesse tanto ler não iria ter comprado.

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O espaço: O espaço é muito importante nesse romance em particular. A história se passa em uma cidadezinha do interior de Missouri, North Carthage, onde o personagem de Nick Dunne nasceu.

A história: Nick Dunne está um pouco cansado do seu casamento, mas nada demais. Ele continua convivendo com Amy em uma casa no interior do Missouri pra onde ele e a esposa novaiorquina se mudaram quando sua mãe ficou doente. No dia de seu quinto aniversário de casamento Nick sai de casa de manhã e recebe uma ligação rotineira do vizinho fofoqueiro de que a porta de sua casa está aberta. Nick não leva muito a sério, mas ao chegar em casa Amy não está e a sala se encontra completamente revirada. Nick chama a polícia e começa então a lidar com o caso de sua esposa perfeita e exemplar que sumiu, mas ele parece ser o único que não sente a mínima falta dela, e isso gera suspeitas.

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Personagens:

Nick Dunne é um garoto do interior que se muda para Nova York para seguir a carreira de jornalista. Ele conhece Amy Elliott em uma festa e os dois acabam se casando. No começo, o casamento é um sonho, mas após alguns anos e uma crise da qual os dois saem desempregados, as coisas começam a mudar um pouquinho. Eles são então obrigados a se mudarem para o Missouri para cuidar da mãe de Nick que tem câncer e do pai que está internado em um asilo. O casamento então chega a um ponto em que Nick está insatisfeito e ausente. No entanto, somente ele parece conhecer sua esposa a ponto de saber que ela não é tão exemplar quanto os outros a enxergam.

É uma época difícil para ser uma pessoa, apenas uma pessoa real, de verdade, em vez de uma coleção de traços de personalidade escolhidos de uma interminável máquina automática de personagens.

[…] Chegara ao ponto em que parecia que nada importava, pois não sou uma pessoa de verdade, ninguém mais é. Eu teria feito qualquer coisa para me sentir normal novamente.”

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Amy Elliott Dunne é uma garota perfeita de Nova York. Ela é rica, bonita e um modelo de como as outras garotas deveriam ser. Tanto que seus pais psicólogos fizeram carreira com uma série de livros chamada “Amy Exemplar” nos quais apresentam situações banais no dia a dia e uma protagonista impecável que sempre as resolve de maneira ideal, baseada em sua filha. No entanto, Amy é uma garota comum e se sente na sombra daquela personagem tentando ser sempre perfeita e agradar a todos a sua volta repreendendo a sua própria personalidade.

“[…]Gostaria que meus pais não estivessem recebendo um tratamento tão especial.[…] Sei que deveria ter pena deles, mas não tenho. Nunca fui para eles mais que um símbolo, o ideal vivo. Amy Exemplar de carne e osso. Não faça besteira, você é a Amy Exemplar. Nossa única. Há uma responsabilidade injusta que vem com o fato de ser filha única – você cresce sabendo que não tem o direito de desapontar, não tem nem o direito de morrer. Não há um substituto por perto; é você. Isso a torna desesperada para ser impecável, e também a deixa embriagada de poder. É assim que déspotas são feitos.”

Desenvolvimento: No decorrer da história, vemos Nick Dunne tentando lidar com a polícia e a mídia por causa do desaparecimento de Amy. Nick por ser o único que via a sua esposa do jeito que ela realmente era (não perfeita), acaba não sofrendo como os expectadores do caso esperariam de um marido que perdeu a esposa. Várias mentiras e comportamentos inapropriados acabam o transformando em principal suspeito. Paralelamente, acompanhamos entradas de Amy em seu diário achado pela polícia, no qual ela narra acontecimentos desde quando o casal se conheceu, até as crises mais recentes do seu casamento. Aos poucos, vamos descobrindo que um casamento aparentemente normal com alguns problemas é na verdade bem mais conturbado interiormente.

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O que eu achei: Achei o livro sensacional. Os personagens são muito bem construídos e de uma complexidade incrível, tanto que foi muito difícil escrever o tópico de personagens desta resenha porque eu simplesmente não consigo colocar nem o Nick nem a Amy dentro de uma caixinha e falar: ah eles são isso e isso, assim e assim. Eles são personagens completamente “outside the box“, e seus comportamentos não são nada previsíveis. Eu não achei a história tão surpreendente assim, mas acho que é porque eu já sabia o que estava por trás do desaparecimento. No entanto, acho que quem está lendo sem nenhum “spoiler” irá se surpreender com a segunda parte do livro. Mesmo quem já sabe que tem alguma coisa errada, se surpreenderá com o calculismo da situação e a construção desse mistério.

Considerações finais: O livro tem personagens maravilhosamente bem construídos e pra mim isso fez o livro. A história e o final surpreendem não por serem incrivelmente originais, mas pelo comportamento inesperado dos personagens. Também gosto como a Gillian Flynn vai revelando aos poucos os segredos e defeitos do casamento dos dois e de suas personalidades. Esse livro é muito intrigante e nos faz pensar em o quanto realmente podemos conhecer as pessoas e como diferentes pessoas podem ter uma ideia tão diferente da personalidade de alguém. Além de o quão complexas e ímpares as pessoas são. Os personagens que lemos, geralmente, são esteriótipos ou estereotipados, “o invejoso”, “o herói”, “o diferente”, mas ninguém é assim na vida real, somos plural. Pra mim a Gillian Flynn conseguiu mostrar o quanto personagens bem construídos são essenciais em um romance. E não se assustem, mas apesar dos pesares, me identifiquei muito com a Amy.

Eu amei o livro e dei 5 estrelas. Não tenho palavras mais para exaltá-lo rsrsrs. Então simplesmente leiam.

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O Filme: Eu não gosto muito de comparar filmes com livros, porque pra mim eles são outra coisa. Eles tem outro objetivo, outro público, outro suporte, outro meio, completamente diferente.

Só vou comparar aqui porque na mesma noite que eu terminei o livro corri para assistir ao filme. Eu gostei sim do filme e da adaptação, mas preferi o livro. Achei o filme um pouquinho tendencioso para o lado do Nick. Dá muitas explicações para coisas “erradas” que ele fez que não tem no livro. Mas vale a pena assistir, Rosamund Pike está ótima como Amy. Me disseram antes que o final do filme é diferente, mas não é. Algumas coisinhas no decorrer do filme foram mudadas sim e o clímax do final foi um pouco mais chocante por ser outro meio como eu já disse, mas não acho que esse final prejudicou a adaptação mais do que o aspecto tendencioso do filme que me desagradou um pouco.

Vocês já assistiram/leram Garota Exemplar? Deixem sua opiniões para discutirmos nos comentários.

Beijos e Feliz Halloween. jack-icon

Na estante: Não conte a ninguém

Olá pessoas. Como vocês estão aproveitando o mês do horror até agora? Eu estou super empolgada e trago aqui outra resenha pra vocês.

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Porque eu li: Bom, todo mundo que gosta de mistério já deve ter ouvido falar do Harlan Coben. Ele ganhou nada menos que os três prêmios mais famosos de livros policiais dos Estados Unidos. Ele explodiu a pouco tempo com seus livros de capas azuis e títulos intrigantes. O título foi o principal motivo de eu ter pego esse em particular pra ler, além de querer ler algo desse autor pra ver se gostava, já que ele é famosa por escrever um dos meus gêneros favoritos.

Como eu li: Eu li a cópia física de “Não conte a ninguém”, publicada pela editora arqueiro.

O espaço: A história se passa em Nova York, assim como metade dos livros do mundo. Mas acho que o espaço não muda muito nessa história.

A história: Oito anos após ter perdido sua esposa David Beck ainda não superou a tragédia. Todos os anos ele e sua esposa iam até o lugar onde aconteceu seu primeiro beijo aos 12 anos e faziam uma marca em uma árvore onde suas iniciais estavam gravadas dentro de um coração. Recém-casados eles voltam pela 13ª vez para completar seu ritual. No entanto, eles são atacados misteriosamente. Beck é abandonado inconsciente e Elizabeth é sequestrada, apenas para ser encontrada morta depois de uma semana. O caso foi muito misterioso e fechado como se eles tivessem sido vítimas de um serial killer. Então, no vigésimo primeiro aniversário do primeiro beijo, oito anos depois, David recebe um e-mail misterioso. No assunto, suas iniciais e de sua esposa e 21 barras. No corpo tem um endereço de site, uma mensagem “hora do beijo” e uma frase “Não conte a ninguém”. Então, ele acessa o site na hora certa que somente ele e Elizabeth conheciam e tem uma grande surpresa ao vê-la na tela de seu computador.

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Personagens:

David Beck – Beck é um médico bonito e bem sucedido que nunca conseguiu superara o assassinato de sua esposa Elizabeth. Apesar das circustâncias estranhas do seu assassinato, ele sempre aceitou a resolução que a policia deu, embora sua culpa de não poder defender Elizabeth não o deixasse em paz.  Quando ele recebe esse e-mail misterioso, ele começa a duvidar de tudo que ele tinha acreditado sobre a tragédia e começa a rever os fatos para descobrir se sua esposa está morta ou não e o que realmente aconteceu aquela noite que ela foi sequestrada. No entanto, a sua motivação o torna um pouco desleixado e até suspeito.

Elizabeth Beck – Elizabeth sempre foi uma filha exemplar, uma mulher exemplar e aparentemente alguém que era querida por todos. Ela trabalhava em uma obra de caridade e por seu perfil acreditava-se que somente um serial killer poderia ter algum motivo para matá-la.

Desenvolvimento: A  premissa do livro é muito envolvente e interessante, até genial, mas acaba por aí. O desenvolvimento é bem decepcionante. A história é contada por David Back em primeira pessoa e pelo ponto de vista em terceira pessoa de dois “detetives/assassinos” que trabalham para um milionário famoso. No começo pode parecer estranho mas não demora muito para o leitor entender a ligação entre as duas histórias.

O que eu achei: O livro foi uma decepção para mim. Achei o desenvolvimento da história extremamente clichê e sem surpresas. Logo no começo o leitor já cria suposições do que pode ter acontecido com Elizabeth e no final a suposição mais óbvia é a verdadeira. Eu não empatizei com os personagens e odiei o fato do livro ter dois focos narrativos em pessoas diferentes. Uma hora você estava lendo as partes de David em primeira pessoa (que eram ok) e de repente pulava para a terceira pessoa, isso quebrava um pouco o ritmo de leitura. Parecia que quando você estava entrando na história e suspendendo a descrença o autor te arrancava pra fora de novo. Por que isso? Não entendi o objetivo do autor em fazer isso.

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Considerações finais: Achei o livro muito óbvio e sem surpresas. O mistério só parece mesmo mistério para o personagem principal que era meio bobão mesmo. O final ficou muito evidente desde muito cedo no livro, e eu fiquei esperando o clímax ou uma reviravolta e nunca veio. Além disso, os dois focos narrativos me deram a impressão de amadorismo e um livro muito mal escrito. Não é a toa que a professora na escola dizia para sempre escrevermos em 1ª ou em 3ª pessoa e NUNCA misturar as duas. Acho que Harlan Coben não assistiu essa aula.

Eu dei duas estrelas para o livro porque para mim nada salvou, não gostei da escrita, não gostei dos personagens e não gostei da história, apesar da premissa ser bem interessante.

Eu fiquei curiosa no entanto, sobre livros que misturam focos narrativos em primeira e terceira pessoa. Será que feito de uma forma melhor esse artifício pode dar certo, ou é sempre ruim? Eu não me lembro de ter lido outros livros que fazem isso. Então queria o feedback de vocês. Vocês já leram um livro assim? O que acham sobre isso? Misturar focos narrativos dá certo ou não?

Beijos e Feliz Halloween jack-icon