Ou será que têm hambúrguer no céu?

“O mundo é tão sólido e estável quanto uma camada de espumas sob um poço sem fundo de águas negras. Significa que somos apenas bonecas.

Que não sabemos nada sobre o que realmente acontece.

Que só nos enganamos sobre controlarmos nossas vidas porque a uma distância menor do que a espessura do papel, coisas que nos levariam à loucura, se pensássemos nela por muito tempo, brincam conosco”

(Sandman – Neil Gaiman)

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É tão estranho. Como coisas banais acontecem, e viram o mundo de cabeça para baixo. Coisas banais, como a morte por exemplo. A morte nos obceca, nos choca. Muita gente pode achar macabro, sombrio e mórbido, mas, na verdade, nada é mais natural do que morrer. Talvez, nos poupamos de encarar esse fato para não sofrer, para não ter medo. Mas, quando de algum jeito você se vê em uma situação em que ela passa do seu lado, tão próximo que seu coração começa a doer, não tem como não se obcecar.

Seu cérebro automaticamente te leva a lugares que você nunca pensou existir. O choque é profundo. Você fica esperando aquele momento em que alguém vai te puxar pra fora da água e parar o afogamento. Você vai respirar. Mas, esse fôlego não vem. E você continua a prender a respiração. E o coração continua a bater forte.

Pensar que ainda ontem ele estava aqui. Respirando, rindo, comendo, vivendo a vida sem pensar demais em nada. E essas coisas tão banais eram as últimas. De repente, essa última risada vale mais do que qualquer coisa que eu possa pensar no mundo. Ás vezes, a proximidade não é nem assim tão próxima, mas eu sinto como se fosse. Porque em um segundo, eu e ele estamos completamente conectados pela certeza mais pura do mistério da vida: todos morremos.

De repente, tudo faz um sentido estranho. Tudo muda ao seu redor. Seus olhos enxergam como de outro plano as pessoas conversando sobre fotos no Instagram, ou aquela pessoa fitness dizendo que não vale a pena comer um hambúrguer para depois ter que malhar aquelas calorias tudo de novo. Tudo que você consegue pensar é: e daí? E daí se eu comer um hambúrguer? E daí se aquela foto teve 1000 curtidas ou uma? Eu vou ter que ver uma pessoa que eu nunca imaginei morrer, um imortal da minha imaginação, dentro de um caixão! Na minha cabeça, eu vejo o corpo dele e de todos os outros que eu já perdi dentro da terra, transfigurado em ossos e depois pó. Eu vejo imagens dele casando e chorando, e sorrindo, e dirigindo, e se assustando e envelhecendo. E são só imagens. E sempre serão só imagens.

Tenho medo de olhar para cadáveres. Mas, quando uma pessoa deixa de ser uma pessoa, afinal? Deixa de viver e vira pó? Será que ainda é ele, ou não é mais, ou sempre vai ser? Ou o pó ainda é a pessoa?  Não sei. O que se esconde por trás do abismo? Não sei. Mas fico feliz porque ele agora sabe. E porque os Allans, os Davids, os Vergílios, os Geraldos e os Renatos estão em um lugar melhor. Juntos, na infinita sabedoria que todos têm que dar a vida para descobrir. Mas, mesmo assim ainda penso. Será que ele comeu hambúrguer ontem? E mais importante ainda, devo eu comer um hambúrguer hoje?

“É o mistério que permanece. Não a explicação”.

 Neil Gaiman

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TAG: Minha vida em livros

Olá leitores lindos,

Hoje eu vou responder uma TAG que a Luma do Blog Antes das Cinco me marcou.

1) Escolha um livro para cada uma de suas iniciais

Trono de Vidro (Thais)

Sombra e Ossos (Silva)

Best Ghost Stories (Baptista)

Eita, isso foi díficil!

2) Conte sua idade pelos livros de sua estante: qual é o livro?

Eu não acreditei, então até tirei uma foto para mostrar para vocês. Acreditam que 24 livros da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita na minha prateleira dá no mesmo livro. As Aventuras de Pi, um livro que eu compre sem nem muita intenção de ler porque já sei a história. Mas, acho que isso foi um sinal. Vou ter que lê-lo.

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3) Encontre um livro ambientado em sua cidade/estado/ país

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O único livro que me veio a cabeça que se passa em São Paulo (aliás bem perto da Móoca, onde eu moro) foi Brás, Bexiga e Barra Funda do Antônio de Alcântara Machado. Eu li na escola e é legalzinho, é um livro de contos, por isso fácil de ler. Mas, tenho que fazer uma menção honrosa à Os Sete do André Vianco que se passa no Rio Grande do Sul e é um livro MA-RA-VI-LHO-SO. Eu o li há uns 10 anos, pelo menos, e ainda tenho uma quedinha pelo Inverno *_*. Que aliás deve esta em São Paulo porque está um frio desgraçado em JANEIRO!

4) Escolha um livro que se passe em um lugar que gostaria de conhecer

Eu escolhi Feita de Fumaça e Osso que se passa em Praga na  República Checa. Acho um lugar tão lindo e misterioso. Queria muito conhecer. Alias, é tão bom ler um livro que não se passa nos Estados Unidos *__*.

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5) Escolha uma capa de livro com sua cor preferida

Não tem muitos livros roxos por aí. Mas um que eu tenho e acho lindo é o Harry Potter and the Philosopher Stone publicado pela Bloomsbury.

6) Que livro te traz boas lembranças?

Desventuras em série foi uma série que eu li um atrás do outro. São livros infantis, mas extremamente inteligentes. Eu tinha uns 17 anos quando eu li e me lembra de uma época boa, do comecinho da faculdade.

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7) Qual livro você teve mais dificuldade em terminar?

O livro que eu tive mais dificuldade de terminar foi o livro que eu achei mais difícil e que eu tenho mais orgulho de ter lido, que foi o texto original de Hamlet de William Shakespeare. Não foi nada fácil ler inglês antigo do século XVI, mas foi muito legal. Apesar de ser uma peça bem complicadinha, eu amei! Uma das minhas peças preferidas.

DSC009608) Que livro ainda não lido lhe trará a maior sensação de “missão cumprida”?

Com certeza, Cem Anos de Solidão do García Márquez. Eu já tentei lê-lo três vezes, na primeira cheguei mais longe, mais ou menos na metade, mas não consigo. É um livro corrido, sem capítulos, sem ordem cronológica, o que me deixa louca! Acho que ainda não estou preparada para ele, mas quero muito ler!

Essa TAG foi como uma viagem “down memory lane” pra mim. Adorei fazer. Eu vou marcar todos vocês para responderem.

Beijinhos e até o próximo.

Cinderela

 

2015-cinderella-movie-poster-wallpaper-hq-images-ilnOlá, tudo bom?

Poucos filmes me inspiraram tanto na minha vida como este da Cinderela. Eu nunca gostei muito de Cinderela e ela nunca foi uma das minhas princesas Disney favoritas (embora o meu eu de 3 anos discorde disso), mas depois de assistir o filme eu percebi o quanto uma ideia simples pode mudar uma vida. “Have courage and be kind.” Esse é o último concelho que a mãe da Cinderela dá pra ela antes de falecer: “tenha coragem e seja gentil”. Pode parecer simples e até muito caxias, mas mudou a vida da Cinderela, e devo confessar a minha também.

No filme, acompanhamos a menina ir de uma vida feliz e confortável a uma vida dura e cruel, mas em nenhum momento ela perde a fé e para de seguir este conselho que tem como essencial na vida. O que faz toda a diferença no final e a leva a um final doce e feliz. Dois atos tão simples que muitas vezes esquecemos com o passar da vida. Nos tornamos amargos e individualistas e nos afundamos cada vez mais na nossa própria dor, esquecendo que as pessoas a nossa volta estão passando por dificuldades também. Todos passamos por momentos difíceis na vida e é importante lembrar que devemos levantar a cabeça, seguir em frente e continuar sendo as melhores pessoas que podemos, tanto conosco quanto com os outros.

321269-1-2500_1600x1200_2457021770_genEssas 5 palavrinhas me tiraram de dentro de um poço escuro e fundo onde eu estava. E de repente, olhei pra cima e mesmo ainda ali vi o sol brilhando, o azul do céu e escutei os pássaros. Me vez lembrar que é muito mais fácil ficar no escuro sofrendo do que olhar pra cima e tentar escalar.Eu sempre na minha vida acreditei em magia, no amor e no bem das pessoas, no entanto estes conceitos muitas vezes são enterrados pela areia grossa e fria do ceticismo e do realismo do mundo em que vivemos. Mas temos que continuar acreditando, porque só assim coisas impossíveis se tornam realidade. Eu não sei como eu me deixei enterrar junto com meus sonhos por pessoas que gostam do escuro, do fundo do poço, do gelado. Pessoas que preferem viver em um mundo de realidades duras do que de sonhos mágicos. Eu entendo essas pessoas. Muitas vezes por medo de parecermos idiotas na frente dos outros ou de nossos sonhos não acontecerem nos convencemos que eles não são possíveis e que são somente contos de fadas que inventamos em nossas mentes.

Não acho que as pessoas devem viver na utopia, mas eu aprendi que existe magia em pequenas coisas do nosso dia-a-dia. Pense todo dia em algo que te fez feliz e que te fez sorrir, por menor que isso posso parecer isso é magia. Não é você ficar rico ou achar o príncipe encantado esperando na sua casa pra calçar o sapatinho de cristal no seu pé. Pense nas pessoas que te fazem feliz, pense nos pequenos atos que as pessoas que te amam fazem por você, pense nos atos que você talvez não faria por alguém mas que alguém fez por você e assim como a Cinderela continue a ser forte por pior que seja a situação tente se lembrar de ser melhor a cada dia, e ser gentil com as pessoas ao seu redor, que mesmo que não do jeito que você pensa, a magia da vida se apresentará no seu caminho.

Beijos